Debaixo dos Céus Os Mundos de Manuel Amaro Mendonça

quarta-feira, 12 de novembro de 2003

Até que chegues

O vento gelado queima o meu rosto
E os olhos choram com o frio,
Ao olhar a imensidão do mar.
O troar continuo das ondas,
Batendo eternamente nas rochas,
Lembra a inevitabilidade da dor
Associada à força dos sentimentos.
Tambem ela bate continuamente em nós,
Furiosamente, macerando, quebrantando,
Destruindo a força de vontade.
As gaivotas gritam estridentemente
Procurando algures entre as águas,
Um pouco de alimento fisico.
Tambem eu busco neste horizonte imenso
Um pouco de alimento, espiritual.
De olhos estendidos ao céu,
Pensamentos perdidos no anjo que és.
Ao longe um navio demanda o cais,
Cidadela iluminada, consciente do destino,
Enquanto eu erro à deriva na vida.
Sonhos esfarrapados como as nuvens no céu,
Olhos semicerrados, cegos aos erros,
Pensamentos dispersos sem rumo definido.
E aqui ficaria horas desfiadas em dias,
Semanas em linha desdobradas em meses,
Não fosse tu chegares…