sexta-feira, 8 de setembro de 2017

Não há um Adeus


A verdade é que não há um adeus.

Não adianta despedir-mo-nos vezes sem fim, como se fosse a última. Pensar em ti, como se nunca mais te víssemos, ou ouvíssemos falar de ti.
O adeus não se fica para lá da tampa do ataúde com que te velaram o rosto e te ocultaram dos meus olhos.


O adeus não está sequer naqueles instantes solitários, em que nos tornamos a despedir uma e outra vez, enquanto sofremos o remorso das vezes que não disse que te amava, ainda que o adivinhasses nos meus olhos.

O adeus está na caminhada para o infinito que empreendeste, deixando-nos a todos órfãos e desorientados. No vazio que deixaste, na ausência pesada que agora mora connosco.  

O adeus está em cada pequeno momento que a tua memória me afaga, no toque de cada objeto que sei tocado por ti, pelo manusear dos livros que leste e em cada memória das conversas que tivemos sobre ele.

O adeus está em cada paisagem que aprecio e sei que ias amar, em cada maravilha da engenharia que vejo e sei que ias admirar.
O adeus está neste mundo cruel que não se compadece e, mesmo sem ti, continua a desfiar a sua rotina, dia após dia.

Não, o adeus não ficou encerrado na caixa de madeira que te levou, quando me perguntaram se me queria despedir.
Porque a verdade, é que não há um adeus, mas sim milhares deles que se estenderão pelo resto da vida.

1 comentários:

Suzete Fraga disse...

Tão intenso e cheio de amor, saudade... Onde quer que esteja e, só pode estar no lugar destinado às pessoas especiais, está a babar de orgulho. Fez um excelente trabalho.