Debaixo dos Céus Os Mundos de Manuel Amaro Mendonça

sexta-feira, 29 de maio de 2020

Candy

 
Terminei o dia de trabalho. Não queria fazer mais nada, estava saturado, farto!
Arrumei as coisas da secretária para uma gaveta, como se varresse o lixo para debaixo do tapete. Empurrei tudo para o recipiente aberto e encerrei-o em seguida com uma sonora pancada. Despedi-me dos meus companheiros de escritório, de forma seca e ausente e procurei ar puro, com avidez, no exterior do edifício.
Estava já escuro, as pessoas passavam apressadas, embrulhadas em casacos, protegendo-se do vento cortante… como detesto o inverno… sair de casa de noite e regressar de noite.
Desde o início da tarde que o estômago me ardia, num mal-estar permanente; estava assim desde que soube que o meu supervisor chegaria amanhã, para uma reunião especial.
"Mas que raios, quererá ele comigo?" Pensei diversas vezes. "Não me lembro de nenhum problema, nem nenhum erro cometido recentemente. Na certa vamos ter nova vaga de despedimentos e eu vou ser o primeiro." O azedume do estômago aflorava-me à boca.
 Passei a paragem do autocarro e decidi ir a pé para casa, "ruminando" na minha pouca sorte; com duas semanas de separado, o que me estava a faltar era mesmo ser despedido. Joana fora intransigente e impulsiva, como era sempre, aliás. Sem dúvida que, esquecer a Francisca no infantário era muito mau, mas as coisas que Joana me disse, mereceram bem as minhas respostas e aliviaram o meu remorso… agora estavam as duas na casa da minha sogra, para gaudio desta última, a velha viúva azeda que nunca gostou de mim. "Mas se ela acha que vou pedir desculpa por ter dito o que merecia ouvir, que pense melhor!" Resmungava para comigo.
Parei numa pequena tasca e pedi cerveja, "Com Favaios!", acrescentei depois. Foi apenas a primeira, depois veio outra e mais outra, parei nem sei quando. Quando chegou a altura de pagar, nem percebi a quantidade de cervejas que havia na conta, mas achei caro… ou tinha bebido muito.
Sentia-me mesmo embriagado. Hesitava ao evitar os obstáculos, a cabeça estava um pouco confusa e havia um zumbido permanente nos ouvidos, a perturbar-me. Fiquei contente por ter vindo a pé, assim tinha tempo para que "os vapores se dissipassem." Agora que pensava naquilo, ultimamente os meus dias acabavam embriagado, ou quase, mas até aí, fora sempre em casa. Era a primeira vez que bebia tanto, sem ser para se deitar de imediato. "Nota mental: não é bom beber fora de casa, a cama está demasiado longe."
À medida que me afastava do centro da cidade, as ruas estavam com menos transeuntes. Por fim, entrei numa alameda, na qual nunca tinha reparado muito bem, porque quando passava de automóvel ia compenetrado na estrada e se vinha de transporte público, estava demasiado apertado para ter vontade de apreciar a paisagem. Mas a verdade é que havia vivendas bastante bonitas, conseguia-se divisar, mesmo com o tempo escuro e invernal, grandes relvados, para lá dos muros baixos, fazendo realçar a grandiosidade dos edifícios. Gostava de um dia conseguir ter dinheiro para uma casa destas, mas agora com a separação... pensão de alimentos… "Pobre Francisca, minha filha querida, ainda não sabes como a tua vida vai mudar." Este pensamento fez-me limpar uma lágrima.
As frondosas árvores, de ambos os lados da rua, quase não deixavam a fraca luminosidade do fim de tarde chegar ao chão, criando um rendilhado de luz e sombra e retirando o pouco calor dos idos de outubro. Um arrepio percorreu-me a espinha, à medida que entrava naquele frio mundo de sombras.
Ia já a meio da travessia, quando me apercebi de algo que se moveu no jardim onde passava e olhando naquela direção, divisei uma criança envergando um casaco grosso castanho e uma botas de água vermelhas, sobre um pijama cor-de-rosa. Aparentava ter uns cinco ou seis anos e não havia nenhum adulto à vista. O murete do jardim não tinha mais do que uns cinquenta centímetros, facilmente transponível e ela andava a remexer nos grupos de arbustos que enfeitavam o relvado bem cuidado. Senti um aperto no coração ao lembrar que poderia ser Francisca, sensivelmente da mesma idade, sozinha e sem vigilância, tão próxima da estrada e à mercê de estranhos.
— Olá. — A menina apercebera-se da minha presença. — Viste a Candy? É uma gatinha pequenina, toda branca, com uma mancha negra na testa.
— Olá. — Respondi. — Não, não vi, mas uma menina tão pequena não devia estar cá fora sozinha, pois não?
— O papá está a trabalhar, a falar ao telefone e não viu que a Candy fugiu. — O sorriso dela era desarmante. — Eu não o incomodei, a mamã está sempre a dizer para eu não aborrecer o papá quando ele está a trabalhar.
— Já sei como se chama a tua gatinha e tu, como é o teu nome? — Sorri-lhe de volta.
— Chamo-me Lúcia e tu?
— Meu nome é Pedro. Já fugiu há muito, a bichinha? 
— Foi há poucochinho. A porta da cozinha estava aberta e ela fugiu. Foi quando o papá veio deitar o lixo, o telefone tocou e esqueceu-se de fechar.
Como a criança retomou a busca, decidi-me a ajudá-la, afinal não tinha nada melhor para fazer e não havia ninguém à espera em casa. Afadiguei-me a sacudir arbustos e a espreitar os ramos das árvores, na tentativa de divisar a criatura.
— Sabes? — Comecei. — Tenho uma filha mais ou menos da tua idade.
— A sério? — Ela parou para me olhar. — Como se chama? Porque não a trouxeste para nos ajudar a procurar?
— Chama-se Francisca e não a trouxe porque não sabia que ia encontrar uma menina bonita como tu a precisar de ajuda. — Respondi, sem conseguir suster um sorriso.
— A mamã diz que Deus põe as pessoas certas no nosso caminho, quando precisamos delas. — Ela fez uma cara séria enquanto acenava com a cabeça afirmativamente.
— Então achas que Deus me enviou para te ajudar a encontrar a Candy? — Ergui as sobrancelhas interrogativamente. — Ou foste tu que foste enviada para me ajudar de alguma forma?
— Oh, isso já não sei, é muito complicado para mim. — Ela fez uma careta divertida. — O que anda a fazer a tua Francisca?
A pergunta acertou-me de chofre e por uns segundos fiquei "engasgado" sem conseguir responder.
— Ela… Está com a mãe. — Acabei por dizer.
— Com a mãe? Não estão em tua casa? — A argúcia da criança surpreendeu-me.
— Bem, não. A mãe achou que precisava de ter "umas férias" e foi para casa da avó da Francisca. — Ajoelhei frente a ela para ficarmos cara-a-cara.
— Isso não é bom! — Lúcia arregalou os olhos numa expressão mista de espanto e seriedade. — A Francisca deve estar muito triste por não te ver, eu ficava de certeza, se estivesse longe do meu papá. Devias ir buscá-la, já, já para o pé de ti, dar-lhe muitos beijinhos e pedir desculpa por teres deixado que a levassem embora. — Quase não conseguia suster as lágrimas perante a reprimenda da criança, mas ela não se deteve. — O meu papá passa muito tempo ao telefone e a mamã ralha muito com ele, mas eu não gosto que eles discutam. Por vezes, ele está a falar com os clientes, mas tem sempre um sorriso e uma festinha para me dar.
Virei o rosto para o lado, para ocultar uma gota teimosa, que se escapava pelo canto do olho. Revia ali a minha história, pela voz de uma criança.
— A vida não é assim fácil, minha querida. — Fiz-lhe uma festa no rosto suave e infantil que fitava atentamente o meu, triste e envelhecido. — Muitas vezes deixamos que o nosso emprego se coloque acima do que é realmente importante e ao fim e ao cabo, o trabalho só nos traz desilusões.
— Vai correr tudo bem, vais ver! — Ela fez um sorriso radioso. — Fala com a mamã da Francisca, se estiverem todos juntos, tudo o resto vai correr bem! — No mesmo segundo, retomou a sua busca, indiferente à comoção que me causara. 
Eu continuei de joelhos no relvado, pensativo. 
— Acho que ela não está aqui. Terá fugido para o outro lado da rua? — A criança perguntou em voz alta.
— Não. — Respondi alarmado, enquanto limpava as lágrimas à manga do casaco. — Não deves atravessar a rua sem a mamã ou o papá. Eu vou tocar a campainha e digo que é preciso ir procurar do outro lado.
— Espera. — Ela começou a correr, através de uma sebe lateral, para as traseiras da casa. — O papá está a trabalhar, não o incomodes, eu vou ver se a Candy já voltou, se não, digo ao papá que vou procurar na casa da vizinha.
Passaram-se longos minutos sem qualquer atividade. As luzes no interior da casa continuavam com a mesma tonalidade, sem aspeto de serem ligadas outras ou apagadas aquelas. Debati-me um pouco com a intenção de tocar à campainha ou espreitar as traseiras da vivenda, mas acabei por concluir que a gata já deveria estar em casa e que a criança se esquecera de mim, entretida a brincar com a amiga.
  Retomei o regresso a casa, com os vapores do álcool quase completamente dissipados. Peguei no telemóvel, marquei um número, por demais gravado na minha cabeça e aguardei, enquanto me torturava mentalmente: "Nem sequer vai atender".
— Estou? — A voz de Joana ecoou, triste, no meu ouvido.
— Olá querida, como tens andado? Como está a nossa menina? Sinto muito a vossa falta, sabes? — Inquiri, com as lágrimas novamente a assomar aos olhos.
Percorri o resto do escuro caminho a falar com ela, a minha esposa, mulher que eu escolhi e mãe da minha filha, que eu nunca deveria ter deixado que se afastassem de mim. Choramos ambos ao telefone, pedimos desculpa, lamentamos o que estávamos a fazer a nós e à doce Francisca. Naquela mesma noite peguei no carro e fui buscá-las para a casa de onde nunca deveriam ter saído e foi um dos episódios mais felizes de toda a minha vida.
Também o dia seguinte tinha boas novidades: a temida reunião, era para me aumentar e dar novas responsabilidades, uma progressão na carreira… a pequena Lúcia tinha razão, assim que estivéssemos juntos, tudo ficaria bem.
No fim do expediente, regressei pelo mesmo caminho do dia anterior e entrei na sombria alameda. Nem parecia a mesma do outro fim de tarde, muito mais luminosa, com alguns automóveis estacionados e pessoas a circular nos passeios.
Consegui chegar à casa de Lúcia, que identifiquei facilmente pelo alpendre e as sebes baixas que separavam o relvado do passeio. Uma senhora rondando os quarenta anos, aparava a sebe com uma tesoura de poda.
— Boa tarde — Saudei a mulher, que me olhou com curiosidade antes de responder à saudação. — A senhora deve ser a mãe da Lúcia, suponho.
— Sim. — Confirmou ela demonstrando suspeição. — Quem quer saber?
— Desculpe-me o abuso, meu nome é Pedro e conheci a sua filha, criança maravilhosa. — A mulher franziu o sobrolho. — Ela disse-me coisas fantásticas e eu queria agradecer, pois tudo o que me disse foi realidade. É verdade, quase me esquecia, a Candy apareceu?
— Candy?!? — Ela corou e, com os olhos húmidos, gritou-me. — Quem é você? Que quer daqui? Desapareça!
— Como?!? — Estupefacto com a expulsão e sem saber como reagir, obedeci, afastando-me. — Está bem, desculpe, mas não entendo o motivo para se ter ofendido.
Olhei por cima do ombro algumas vezes, enquanto me afastava, ela estava parada, a vigiar os meus passos.
— Espere! — Gritou-me. — Volte, por favor. Desculpe-me, quero fazer-lhe uma pergunta.
Regressei, mas mantive-me a uma distância segura, enquanto ela, sem largar a enorme tesoura de poda, me avaliou com o olhar.
— Quando conheceu a minha filha? — Interrogou.
— Ontem à noite, quando regressava a casa do emprego. — Respondi prontamente.
— Era a minha filha, a Lúcia? — A mulher não acreditava.
— Não sei se era sua filha, estava neste jardim, disse que esse era o nome dela e, quando foi embora, foi por aquela passagem na sebe para as traseiras dessa casa. — Assegurei.
Contei tudo o que se tinha passado, a nossa conversa enquanto procurávamos a gatinha Candy, que nunca cheguei a ver e descrevi a forma como a menina estava vestida.
A mulher, que desde o reinício da nossa conversa mantinha uma mão sobre a boca, moveu-a para os olhos e explodiu num pranto.
Cada vez mais atrapalhado, não sabia como reagir e aproximei e afastei várias vezes a mão, indeciso se a deveria ou não tentar acalmar. Não foi preciso, no entanto, pois ela conseguiu dominar-se sozinha.
— A minha filha Lúcia, morreu há três anos, aqui mesmo em frente à porta, vestida da forma como me descreveu. Foi atropelada, quando saiu de casa, sem que o meu marido se apercebesse, atrás da gatinha que lhe déramos no aniversário. — A mulher pareceu ter envelhecido vários anos, com o choro e o soluçar que lhe afrontavam o peito. — Não sei quem você é, se está a falar verdade, se é um mentiroso ou um pervertido, que vem com intenções escusas, mas acredito que a minha menina ainda anda por aí, perto de mim. O cheiro dela nunca desapareceu do quarto e por vezes acho que a ouço cantarolar, ou rir no jardim.
— Lamento, minha senhora, não sabia… não percebo… — Tentei desculpar-me, completamente confundido.
— De qualquer modo, — Ela não se deixou interromper. — gosto da ideia de ela ter sido um anjo, que Deus me emprestou por algum tempo e agora anda por aí a fazer o bem. Se está a falar verdade, fico feliz, se está a mentir, não quero saber. De ambas as formas, peço-lhe que se vá embora, respeite a minha dor e não volte mais. — Com isto virou-me as costas e saiu do relvado pela mesma passagem utilizada por Lúcia no dia anterior.
Ainda hoje, muitos anos depois, não sei exatamente o que se passou naquele fim de tarde, quem era aquela criança que encontrei, à procura de uma gatinha que não cheguei a ver. Mas cada vez que penso nisso e, abraçado a Joana, vejo a minha Francisca crescer feliz e saudável, não posso deixar de acreditar que Lúcia era mesmo um anjo que Deus trouxe ao meu caminho, para me levar a fazer o que era correto.




sexta-feira, 8 de maio de 2020

A minha primeira "distinção literária"

Rua da Mainça e a escola Dr. Francisco Godinho de Faria em São Mamede de Infesta (possivelmente década de 1980)

Há uns dias, a remexer em livros antigos, (coisas do confinamento) deparei com a minha primeira "distinção literária", o que me trouxe à memória um conjunto de recordações da infância em São Mamede de Infesta, onde nasci e me criei.
Assim que terminei os quatro anos da Escola Primária,  ingressei no 1º ano do Ensino Preparatório, numa escola acabada de construir, no lugar da Mainça. Corria o ano de 1975 e a Revolução dos Cravos, que alterou a forma de viver e pensar dos portugueses, tinha acontecido há apenas um ano.
A Escola Preparatória Dr. Francisco Godinho de Faria, estava destinada a ser apenas do ciclo preparatório (1º e 2º anos), mas acabou por, mais tarde, incluir todo o ensino até ao 9º de escolaridade do Ensino Unificado, ou 5º do secundário. Era um conjunto de edifícios pré-fabricados instalados nos socalcos do terreno, numa encosta que descia das traseiras das casas da Avenida da Pedra Verde, a zona “chique” da freguesia.
Avenida da Pedra Verde na atualidade

Demorava cerca de meia hora a pé para chegar à escola, desde a minha casa na rua Henrique Bravo, próximo da rua das Laranjeiras. O dinheiro não era muito e se pudéssemos poupar o bilhete do autocarro, era muito bom… A revolução de Abril tinha trazido liberdade, mas pouca prosperidade e, se antes o meu pai não tinha benefícios sociais porque era patrão, agora, além de continuar a não os ter, era odiado, porque a febre comunista ditava que todos os patrões eram maus… mesmo aqueles que, por vezes, não conseguiam trazer o ordenado inteiro, para ter com que pagar o dos funcionários. Para nós, crianças, isso era pouco significativo, a caminhada para a escola era uma forma de conversar e brincar com os companheiros que se nos iam reunindo no trajecto.
Foi nessa escola que tive a honra de conhecer grandes professores de História, como a Nídia Maria e a mais famosa de todas, Maria Manuela Moreira de Sá, que mais tarde daria o seu nome à escola, que foi a sucessora dessa onde eu estudava na altura.
Destinada a ser de carácter temporário, desde a sua inauguração em 1974, até aos últimos meses de 1991, foram dezassete anos de crianças formadas num ambiente único que ainda hoje me deixa muitas saudades. Os seus pavilhões prefabricados, aqui e ali, nos diversos socalcos do terreno, os taludes que serviam de escorrega e que nos sujavam as roupas, as escadas de cimento, percorridas em velocidade pela criançada. A toda a volta, os muros feitos de placas de betão e, por recreio, o enorme campo de jogos, que mais não era do que um terreiro, sem balizas sequer e que tinha, aqui e ali, grandes goelas provocadas pela chuva, que os miúdos aproveitavam como trincheiras para "jogar às pedradas" uns com os outros. A biblioteca onde, mais do que livros de estudo, muitos episódios do Luky Luke, do Asterix e do Tintin preencheram os meus tempos livres.

Infelizmente, não tenho nenhum registo fotográfico daquela época.
Estas fotografias são simplesmente ilustrativas e retiradas de um grupo do Facebook de antigos alunos da escola.
No "meu tempo" as fotos eram a preto e branco e havia poucas máquinas fotográficas.
 
A escola foi demolida algures na década de noventa do século passado e tenho pena de não ter guardado um tempo para tirar umas fotografias a um pedaço da minha vida que desapareceu para sempre. A rua da Mainça, tem agora um aspeto diferente e urbano, não há multidões de crianças alegres e ruidosas a percorrê-la, mas é ainda vigiada pela capela de São Félix (à esquerda), que a atrás referida doutora Manuela Moreira de Sá, em conjunto com os seus alunos, nos quais eu estava incluído, foi responsável pela recuperação.

A rua da Mainça, antes e depois.

Mas não é para lembrar esses anos maravilhosos, que criei esta publicação, mas sim para falar do meu eterno gosto pela escrita. Desde que me lembro, que gosto de escrever e perdi durante a vida, muitas páginas de histórias, fruto da minha imaginação e poemas escritos às "mulheres da minha vida". Houve até um caso em que, em conjunto com uma amiga, fizemos uma história, que eram cartas imaginadas, que escrevíamos um ao outro... que delícia deviam ser agora, se as tivesse conservado.
 Foi porém um outro acontecimento, que marcou a minha vida para sempre:
Um certo dia, a "stora" Teresa, de português, teve a ideia de fazer um pequeno concurso de escrita onde ofereceria um livro ao vencedor. Acabaram por ser, não um, mas três, os concursos, dada a alegria com que a pequenada abraçou a tarefa. Para minha desilusão, não fiquei em primeiro em nenhum deles. Nos três concursos, fiquei sempre em segundo ou terceiro, apesar de o primeiro lugar ter sido sempre ocupado por colegas diferentes. A professora achou que eu deveria ter direito a uma distinção também e no dia seguinte, presenteou-me com este livro, que aqui podem ver digitalizado.
Uma prenda com quarenta e três anos, de que muito me orgulho e guardo com muito carinho.














quarta-feira, 29 de abril de 2020

A Vida Que Eu Quero


Cabelo comprido, desgrenhado e barba de vários dias, com passos inseguros, o homem arrastou-se pelo meio da esplanada. Aparentava uns sessenta anos e envergava um blusão bege sovado e umas calças de ganga, que já tinham conhecido melhores dias, terminando numas sapatilhas de pano, sujas e rasgadas. Para dar um pouco de dignidade, trazia debaixo do braço um jornal, dobrado, como se o fosse ler.
O empregado do café reconheceu-o e deixou-o passar pela sua frente, após o qual exibiu uma careta mista de tristeza e desprezo, acenando negativamente com a cabeça.
O vagabundo dirigiu-se ao funcionário que se encontrava na caixa, atrás do balcão, que exibiu uma expressão contristada, assim que se apercebeu da sua presença.
— Bom dia senhor António. — Entaramelou o recém-chegado, em ar de gozo, demonstrando uma clara embriaguez. — Ainda tens os jornais de ontem?
— Boa tarde, senhor Fernando. — Corrigiu-o o outro, que aparentava uns trinta anos, baixo, de cabelo curto. No rosto simpático, os olhos pequenos, fitavam o interlocutor com preocupação, respondendo ao cumprimento com a formalidade, que não era obviamente usual.
— Ou isso. — O outro não se preocupou, rematando rapidamente. — Para mim, bom dia ou boa tarde, o que interessa é que seja bom e bom, é poder ter qualquer coisita com que forrar o estômago.
— Não comeste nada ainda? São quase cinco da tarde… — Novamente a expressão de preocupação. — Mas para beber havia…
— Oras! Era o restito de uma garrafosa que me deram ontem, que ajudei a descarregar um camião. — Riu-se o Fernando, levando a mão às costas. — Hoje estou aqui que não posso das cruzes.
— Não te pagaram? — António surpreendeu-se.
— Pagaram pois! — O outro escandalizou-se. — Não te disse que me deram uma garrafa de tinto? Isso e duas latas de atum, a larica é que era muita e dei cabo de tudo à noite.
— Valha-te Deus! — Havia lágrimas nos olhos do mais jovem.
— Que queres que faça? — Justificou-se o mais velho. — O pessoal agora põe o papel todo no papelão, ninguém dá nada para recolher, tenho de correr quilómetros à cata. O sovina do farrapeiro anda a chular-me e cada vez paga menos, além de que acho que a balança está aldrabada.
— Vem. Anda a comer alguma coisa. — António abriu o balcão, para que o outro entrasse para a cozinha.
Enquanto o vagabundo se sentava à mesa, onde normalmente se preparavam as refeições, o outro deu instruções à cozinheira para que preparasse um prego em prato “bem abonado” e trouxesse uma bebida qualquer sem álcool. Depois sentou-se frente ao convidado, ignorando os resmungos da mulher.
 — Mas arranjas os jornais ou não? — Insistiu Fernando, apesar de estar já pronto para comer. — É que se não, tenho de ir à minha vida, procurar noutro lado.
— Sim, tenho ali muitos jornais, acalma-te. — Sossegou-o o mais novo. — Então agora andas ao papel, é?
— Tem de ser! Um gajo tem quem de ganhar a vida, não é? — Afirmou Fernando, convicto.
— É assim que ganhas a vida? Dá para comer?
— Assim, assim. — O velho encolheu os ombros. — É mais para o tabaquito e uns copos, aqui e ali. Comer, normalmente é à noite, quando vem o pessoal da ajuda de rua; uma sopita quente, uma carnita e uns iogurtes. Dá para o gasto. Dantes, andava a pedir, ou a arrumar carros, mas andava sempre com chatices, havia gajos que assaltavam ou riscavam os carros que eu devia estar a guardar e se eu chiava, ainda lerpava por cima. O lixo é mais seguro, embora não possas mostrar que tens guito, nem trazer muito papel junto, ou vem por aí algum cabrão e leva-to.
A cozinheira pousou o prato fumegante na frente do homem, que atacou o manjar com unhas e dentes, enquanto ela se deixou ficar em pé, junto dos dois.
— Ontem, como me emborrachei, — disse com a boca cheia, — esqueci-me da sopa e prontos, lerpei.
— E onde dormes? — Intrometeu-se a cozinheira.
— Por aí! — A refeição desaparecia sofregamente, mas ele não deixava de responder ao interrogatório. — Antes dormia numa casa abandonada, mas deitaram-na abaixo. Fico normalmente na antiga mercearia do Silveira, que está vazia há muitos anos.
— Porque não fazes o que eu te disse já tantas vezes? — Os olhos de António reluziam e sentiam-se os dentes cerrados com força por trás dos lábios finos.
— Nããã! — Recusou o outro. — Que vou fazer agora, da maneira que estou? Já viste o meu aspeto?
— O aspeto pode ser composto.
— Tenho vergonha, não percebes? — Com o prato vazio, o vagabundo impacientava-se. — Que vou fazer agora para casa, para uma família a que não pertenço? Velho, desdentado… derrotado! Vai buscar os meus jornais, que tenho mais o que fazer!
Com as lágrimas nos olhos, António afastou-se, a saber dos jornais.
— A minha vida é esta! Estavam cheios de mim no trabalho, mandaram-me embora, velho de mais para me empregar, novo demais para a reforma, que querias que fizesse? — Reafirmou Fernando, perante a expressão de desaprovação da cozinheira. — Ir para casa viver de subsídios, ou ouvir piadas de que sem o filho não sou nada? Há quatro anos que vivo nas ruas e safo-me bem! Quero lá eu saber de casas cheias de regras e mulheres mandonas! Sempre fui senhor de mim e ganhei o meu sustento! Em mim, mando eu!
— Pelo menos enquanto te derem de comer e não precisares que cuidem de ti! — Exclamou com desprezo a mulher, empurrando-lhe um saco plástico, com duas sandes, para debaixo do braço.
Sem recusar a oferta, o velho saiu da cozinha para a entrada do café, onde recebeu o embrulho com jornais amarrotados.
— Obrigado pela comida! — Atirou Fernando, afastando-se a cambalear.
A cozinheira materializou-se ao lado de António e abraçou-o com carinho, ao ver as grossas lágrimas que lhe corriam pelo rosto. Ele, estático, com a visão do sem-abrigo a afastar-se, moveu os lábios, num sussurro: “Até à próxima, pai.”



terça-feira, 14 de abril de 2020

Heranças - Novo trabalho dos Pentautores


Porque aqueles que amam a escrita nunca estão parados, aqui está mais um novo trabalho dos Pentautores.
Desta vez, Ana Paula Barbosa, Carlos Arinto, Jorge Santos, Manuel Amaro Mendonça e Suzete Fraga, convidaram para reforço desta edição, um outro autor cujos escritos têm despertado o interesse e a admiração de muitos leitores: Fernando Morgado.

Passo a transcrever um excerto das palavras de Fernando Morgado, publicadas no prefácio desta obra:


"Não há presente sem passado e o futuro não acontecerá sem estes dois estádios de vida. Dito isto com a erudição que nem La Palice inventaria, volto à praça da vida para confirmar esta certeza: é a memória que nos liga aos outros e a nós mesmos, é a memória que nos justifica em tantos momentos, é a memória dos sonhos e dos desafios que nos faz continuar."

É realmente este o mote incluído neste novo livro: as heranças que recebemos, dos antepassados, das pessoas com quem convivemos, ou simplesmente da própria vida. Boas ou más, dolorosas ou divertidas, materiais ou genéticas, são essas pequenas peças que fazem de nós a pessoa que somos.

Venha conhecer as heranças dos Pentautores e ver como elas moldaram histórias e personagens.


Grupo Pentautores




segunda-feira, 30 de março de 2020

Estranhos Tempos



Nestes tempos olho as ruas vazias,
E escuto o silencio das estradas,
Sentindo a solidão nas casas.
Vivendo as noites frias,
Olhando as pessoas paradas.

O mundo, a respiração prende,
Por pavor do vírus liberto
E se para alguns, o fim é certo,
Para outros a imobilidade ofende,
Mesmo se a morte está perto.

Escuto os pássaros, sinal de esperança
Num futuro ainda desconhecido
Num presente tão tremido
Em que me encolho, qual criança
Como de um castigo, fugido.

Vestes brancas, pobre idoso
Suportando os males do mundo,
Neste planeta imundo
Reza a missa, saudoso,
Do povo que orava, profundo.

Tu que estás no Céu, Criador,
Abençoa estas Tuas criaturas,
Poupa-as a tais torturas
E afasta para longe a dor
Livra-os de tais amarguras.


Leva os Teus cavaleiros, também
Que há muito lançaste na Terra,
Livra-nos da Fome e da Guerra,
Livra-nos de todo o mal, Amém,
E da Peste que hoje aqui se ferra.

Os loucos governam o mundo,
Deixam todos os outros morrer,
Desprezam os que deviam proteger
Querem o dinheiro, nauseabundo,
Tudo o resto se pode perder.

A morte de um homem é tragédia
Mas só estatística, se forem mais,
Não pensam assim os demais
Apenas os loucos que têm a rédea
Quando entre os seus, não há fatais

Assustada, a criança chora
Temendo o pior, choramos também
É uma dor que não poupa ninguém
Mas há quem p’ra isso não tenha hora
Envolto na luta de salvar alguém.

E graças a eles,

 Irá ficar tudo bem.


sábado, 29 de fevereiro de 2020

A Última Afronta


O homem acordou, cheio de dores em todo o corpo e apercebeu-se do braço engessado. Lembrava-se vagamente da ambulância e do aparato na entrada das urgências. Apalpou o volumoso penso que tinha numa das orelhas e grunhiu uma praga.
Gemendo, sentou-se na cama e olhou em volta; havia mais três leitos, cujos ocupantes dormiam a sono solto. Um deles ressonava ruidosamente.
Queixoso, pousou os pés no chão e calçou os chinelos que estavam ao lado do leito. Era um homem de compleição forte, quase gordo, de sessenta e um anos, mas com a cabeça coberta por uma farta cabeleira branca. Caminhou ao longo da cama, apropriou-se da canadiana do vizinho e cutucou-o rudemente com ela, para que parasse os roncos. Depois, apoiado no objeto roubado com o braço são, dirigiu-se para o corredor, para responder à urgente vontade de urinar.
Caminhava com dificuldade, apoiado na canadiana, ao longo do corredor do hospital, quando, atrás dele, saída das sombras em passo apressado, avançou uma mulher, aproximadamente da mesma idade. Também tinha hematomas no rosto, a cabeça ligada e dois dedos de uma mão com talas.
Assim que o homem chegou à porta do WC, apercebeu-se da presença da mulher e fez uma expressão de terror, quando ela lhe lançou o cotovelo sob o queixo e premiu-lhe a laringe sem piedade. Entraram ambos de rompante pelas instalações sanitárias, sem que ele conseguisse soltar um gemido.
Lá dentro, ele bateu com a cabeça na parede com força. Com o pé, ela empurrou a porta para que não fossem vistos do exterior e começou a socá-lo com toda a força, enquanto ele tentava proteger o rosto, sem sucesso. Lutaram pela canadiana e quando ele soltou um grunhido, pela garganta magoada ela principiou a dar-lhe joelhadas nos genitais, até que ele se vergou. Agarrou-o pela gola do pijama e puxou-o com toda a força, com a cabeça contra o ferro de apoio, ao lado da sanita e o homem caiu desacordado.
Ofegante, olhos desvairados de fúria, ela espreitou para o exterior, verificando se os ruídos não tinham chamado a atenção de ninguém. Em seguida, ajoelhou-se sobre o peito do homem e tapou-lhe o rosto com a toalha, pressionando sobre o nariz e a boca. Ao fim de uns segundos, ele começou a debater-se, mas ela conseguiu mantê-lo imobilizado o tempo suficiente, até que parasse de se mexer.
Saiu das instalações sanitárias, a transpirar, cabelo desalinhado e em passo rápido, para voltar à ala que lhe competia.
Para saber quem eram estas duas pessoas e qual a animosidade que movia a mulher, para uma atitude tão violenta, teremos de recuar ao dia anterior.
***
 Gabriela era uma mulher geniosa, ectomórfica, a rondar os sessenta anos. O seu rosto, de linhas finas, prematuramente envelhecido, deixava as pessoas surpreendidas, com o contraste da agilidade com que se movia. Naquela manhã, estava corada e os seus olhos soltavam chispas, quando chegou ofegante à porta da casa de Daniel, o seu ex-marido. Com o punho fechado, bateu fortemente por várias vezes, gritando o nome daquele que, em tempos, partilhara a vida com ela.
Daniel vivia desafogadamente, como se podia atestar pela moradia, numa zona cara da cidade e a ocupar uns bons metros quadrados de terreno caríssimo. Reformado da direção de uma empresa pública, a pensão era suficientemente generosa para não lhe faltar nada.
— Gabriela?!? — Perguntou ele, surpreendido, no seu fato de treino de andar por casa, bem recheado de carnes. — Que se passa?
— Que se passa, seu monstro? — Ela cuspiu a pergunta. — Que se passou, seu porco! Que aconteceu debaixo dos meus olhos?
— Espera! — Ele tentou acalmá-la. — Entra e sossega, explica-me tudo, mas cá dentro.
— Não queres escândalo, é? — A mulher mantinha o tom de voz alto. — Tens medo de que os teus vizinhos saibam o filho da p** que tu és? — Ato contínuo, tentou esmurrá-lo no rosto.
Ele agarrou-a pelos pulsos e puxou-a para dentro de casa, enquanto fechava a porta com o pé. Estavam num pequeno átrio de entrada, ao cimo de umas escadas que desciam para uma elegante sala de estar.
— Acalma-te! — Gritou-lhe, sacudindo-a. — Que diabo! Que te aconteceu, julgava que estava livre das tuas fúrias!
— Estive hoje ao telefone com a minha filha! — Ela começou, enquanto lhe ia dando estaladas, que ele nem sempre conseguia evitar. — Com a NOSSA Alice, seu cabrão! — Continuava a espancá-lo. — Ela contou-me porque tinha tanta pressa em ir para Londres! Está a divorciar-se agora do marido, por não consegue, nunca conseguiu ter relações normais com ele, por tua causa!
— Que te contou ela? — Ele defendia-se como podia. — A Alice é uma mentirosa, já sabes!
— Não! Mentiroso és tu! És um demónio, um monstro! Ela tinha medo de ti e eu não percebia porquê, pois parecias tão carinhoso! — Gabriela chorava e os tabefes transformavam-se em murros bem direcionados. — Quando te deixei, nunca teria imaginado que essa tua cabeça porca, esses teus olhos lúbricos e nojentos se haveriam de pousar na tua própria filha! Julgava que as porcarias que viviam nessa mente tortuosa e doente estavam-me destinadas, como castigo de algo mau que pudesse ter feito, não para uma criança inocente! Porco, cabrão, filho da p**!
— E que querias, sua vaca anorética e histérica? — A atitude dele mudou radicalmente, enquanto devolvia os golpes dela com violência. — Desde que ela nasceu, só tinhas olhos para ela! Desprezavas-me e já não querias fazer as coisas, que gostavas tanto de fazer comigo!
— Gostava de fazer?!? — Gabriela agarrou-se como pôde à farta cabeleira alva e sacudiu-o. Por instantes ficaram um em frente ao outro, como que a decidir o que fazer a seguir. — Eu amava-te, seu cabrão pedófilo! Sujeitava-me porque te amava, mas depois comecei a odiar tudo aquilo que me fazias! Não era natural as coisas humilhantes que me obrigavas a fazer e eu só soube isso quando conheci um homem a sério e não um frouxo, que só se conseguia excitar causando dor e sofrimento.
Daniel acertou-lhe um soco violento que a atirou contra uma credencia e derrubou a jarra e vários objetos de vidro que lá se encontravam. Ele aumentou a pressão com dois tabefes que a prostraram no chão. Seguidamente baixou-se e começou a apertar-lhe o pescoço.
— Lembras-te? — Sussurrou-lhe ao ouvido, sentindo-se excitado, enquanto ela se debatia e ele aumentava o aperto. — Quase até ser tarde demais… as vergastadas nesse teu traseiro delicioso…
A jarra explodiu na cabeça dele e Gabriela libertou-se, pontapeando-o no rosto.
— Cabra selvagem! — Daniel atirou-se para cima dela, com sangue a correr pelo rosto e começou a rasgar-lhe as roupas, enquanto lhe prendia os braços. Deu-lhe uma cabeçada no nariz, que a deixou atordoada. — Sabes? — Desafiou ainda. — A Alice não valia nada, era em ti que eu pensava quando “a comia”.
Num assomo de energia desesperada, ela conseguiu dar-lhe uma joelhada entre as pernas e ferrar-lhe com toda a força uma das orelhas. Louco de dor, ele tentou erguer-se com a mulher agarrada de pés, mãos e dentes. Desequilibrados, acabaram a rebolar pela escada, até ao último degrau, onde ficaram caídos sem sentidos.
Se ideia de quanto tempo passara. Gabriela teve fraca perceção de ser transportada na maca e das vozes nervosas de médicos e enfermeiros. Estava já a recuperar lentamente a consciência, quando escutou os restos de uma conversa entre duas enfermeiras: “… marido e mulher, sim. Quase se mataram de porrada. Ela está aqui e ele do outro lado, na ala dos homens…”

Ela não abriu os olhos, mas logo ali, soube o que tinha de fazer…


domingo, 2 de fevereiro de 2020

SG MAG numero 9


Já saiu a revista SG Mag de dezembro 2019.
Na capa, mais uma excelente escolha do meu amigo Isidro Sousa, a bela poetisa baiana Rita Queiroz, que acrescenta à beleza, o dom da escrita e o amor pelo ensino.
Para além da entrevista à figura da capa, é dado destaque a uma das últimas antologias da editora Sui Generis, "Bendita Manjedoura" onde tive a honra de participar com o conto "O Natal de Miriam".


Esse mesmo conto é exibido na íntegra nas páginas da revista.


Para além disso, o Isidro deu algum destaque a algumas das minhas participações em antologias passadas e fez publicidade ao último livro que publiquei: "Daqueles Além Marão" (eu sei, já vão sendo horas de lançar outro).




Vale a pena ler esta revista que a editora Sui Generis disponibiliza de forma completamente gratuita. É uma forma interessante de conhecer quem são os novos autores lusófonos e o que se escreve fora dos circuitos "consagrados", vulgarmente reféns de compromissos comerciais, que se sobrepõem à própria literatura.

Não deixe de ler: SG mag numero 9