A chegada de Daqueles Além Marão

Publicado em 2017, deveria ter sido lançado por uma editora pela obtenção do primeiro lugar num concurso.

Capa de Terras de Xisto e Outras Histórias

Um livro de contos diversos onde circunstâncias dramáticas obrigam os personagens a contrariar a sua própria natureza.

Capa de Lágrimas no Rio

A pacata aldeia de São Cristóvão do Covelo sofre um terrivel cataclismo que vai revelar forças estranhas.

A Amazon apoia a publicação independente

Todos os meus livros são publicados pela Amazon de forma independente e não exploradora. Estão à venda em todo o mundo.

A família de livros "Debaixo dos Céus" continua a crescer desde 2015

Desde a publicação de "Terras de Xisto" em 2015 até "Entre o Preto e o Branco" em 2020, vão milhares e milhares de palavras escritas.

A capa de Daqueles Além Marão

Os contos aqui incluídos têm todos protagonistas transmontanos. A capa escolhida é feita a partir dos azulejos da estação ferroviária do Pinhão, na linha do Douro.

A chegada de Terras de Xisto e Outras Histórias

Foi emocionante a entrega destes livros, os primeiros publicados em exclusivo com o meu nome.

A chegada de Lágrimas no Rio

As primeiras apresentações que fiz foram desta obra.

A capa de Entre o Preto e o Branco

A primeira capa 100% desenhada por mim, com recurso a uma foto royalty free.

A chegada de Entre o Preto e o Branco

Como das vezes anteriores, quando chegou a primeira remessa já estava toda vendida.

quarta-feira, 12 de novembro de 2003

Até que chegues

O vento gelado queima o meu rosto
E os olhos choram com o frio,
Ao olhar a imensidão do mar.
O troar continuo das ondas,
Batendo eternamente nas rochas,
Lembra a inevitabilidade da dor
Associada à força dos sentimentos.
Tambem ela bate continuamente em nós,
Furiosamente, macerando, quebrantando,
Destruindo a força de vontade.
As gaivotas gritam estridentemente
Procurando algures entre as águas,
Um pouco de alimento fisico.
Tambem eu busco neste horizonte imenso
Um pouco de alimento, espiritual.
De olhos estendidos ao céu,
Pensamentos perdidos no anjo que és.
Ao longe um navio demanda o cais,
Cidadela iluminada, consciente do destino,
Enquanto eu erro à deriva na vida.
Sonhos esfarrapados como as nuvens no céu,
Olhos semicerrados, cegos aos erros,
Pensamentos dispersos sem rumo definido.
E aqui ficaria horas desfiadas em dias,
Semanas em linha desdobradas em meses,
Não fosse tu chegares…

quinta-feira, 2 de outubro de 2003

Criação

O mundo era jovem e as estrelas crianças reluzentes,
E nós, os Primeiros daquela raça.
Éramos luz e promessa de vitória,
A Esperança tornada vida.
Os rios eram cristalinos cheirando a alfazema,
Cantando histórias das suas viagens.
Os animais, nossos companheiros,
Acompanhavam-nos e falavam-nos com alegria.
Naquele tempo, o mundo era virgem,
E nós os futuros donos.
Naquele tempo em que o mundo era jovem,
Éramos apenas crianças,
Vigiadas ternamente pelo Bom Pastor,
Que olhava carinhosamente a sua Criação.
Mas não seriamos crianças para sempre
E o brilho do Conhecimento
Refulgiu nos nossos olhos ingénuos,
Abrindo-os e enchendo-os de Sabedoria,
De Bondade e de Maldade.
E de repente sabiamos quem eramos,
Quem poderíamos ser...
E queríamos mais.
O Bom Pastor cobriu a face e chorou,
Ao dar-nos o Conhecimento pretendia tornar-nos melhores...
Mas também Ele comete erros.
E o mundo agora é velho e as estrelas baças e mortiças.
Os rios sem vida
Onde as águas que não são mais cristalinas,
Já não chilreiam mais histórias.
Os animais temem-nos e não nos falam,
Chocados com a nossa mudança.

Desde então que a esperança temo-la nós,
Em cada um dos nossos filhos,
Que seja melhor do que somos,
Que faça mais do que fizemos,
Que tenha mais felicidade que a que temos.

sábado, 9 de agosto de 2003

Calor

Calor.
A mente ferve, o corpo incendeia.
Os pensamentos são difusos,
A imaginação não se refreia,
Os nossos seres estão confusos.
Calor.
A cabeça não funciona,
O corpo verte àgua, sua.
Todo o meu ser se emociona,
Ao sonhar com a boca tua.
Calor.
A noite é imensa, eterna,
As horas não querem passar,
Sonho com a caricia terna
Que teima em não chegar.
Calor.
Esta noite é infernal,
O corpo em àgua se esvai
Só a tua presença não faria mal
Enquanto a consciência se vai.
Calor.
Por fim o sono benvindo,
Onde sonho que estás aqui
Mas quando o sonho é findo
Me apercebo do que perdi.

quarta-feira, 6 de agosto de 2003

Sonho


Dormia calmamente quando senti o toque fresco da tua mão no meu rosto em contraste com o calor que fazia no quarto.
Abri os olhos e vi-te de pé em frente a mim sorrindo como só tu sabes sorrir. Teu cabelo solto criava uma aura em contraluz com a luminosidade que se escoava pela janela atrás de ti.
Tocaste com o indicador nos meus lábios para me impor silêncio. Fechei os olhos por segundos e quando os abri novamente já lá não estavas.
As cortinas da porta do terraço esvoaçavam languidamente ao sabor da brisa noturna.
Ergui-me e caminhei para a porta. A frescura da noite chegou ao meu corpo despido lentamente, sub-repticiamente, envolvente.
E ali estavas de novo, em pé no meio do terraço, qual Eva renascida trazendo contigo o Pecado Original.
Sentaste-te e deitaste-te graciosamente enquanto eu me aproximava, o corpo tenso, ereto em homenagem à tua beleza.
Ajoelhei junto ao Altar do teu corpo, Sacerdote de uma qualquer religião esquecida adoradora de Vénus. Extasiado devido a tão radiosa aparição.
O veludo negro do céu e os diamantes que o ponteavam eram as únicas testemunhas de tão irreal acontecimento, de tão imortal encontro.
Os Deuses, algures no Olimpo, congeminaram esta nossa união que tem tanto de sagrado como de herético. Divertem-se durante vidas inteiras aproximando-nos e afastando-nos a seu bel-prazer mas esta noite deram-nos tréguas.
Os meus lábios tocaram os teus e repousei o meu corpo suavemente sobre ti. Envolvemo-nos num abraço sem tempo, uma união única de corpos e mentes de sintonia total como só acontece uma vez em cada milhão de anos.
Vibramos silenciosamente, rodando, penetrando, sugando loucamente por uma eternidade. Explorei cada ponto da tua geografia, vagueei pelas tuas colinas, acariciei cada contorno das tuas planícies, deixei-me perder no teu mato aveludado e doce, convidativo e húmido.
O tempo deixou de existir e o cenário noturno esbateu-se lentamente até toda a realidade se projetar numa explosão de cores e sentidos desordenados terminada numa lassidão cheia de amor e carinho.
Quando abri os olhos, os primeiros laivos de luz do sol estavam a romper sobre os telhados das casas e eu estava deitado no terraço frio e sozinho.
Foi um sonho?
Eu acho que não.

terça-feira, 15 de julho de 2003

Sempre pensando em ti

Quero, desejo, egoísmo puro e simples.
Mas o mais poderoso sentimento,
Fala apenas de partilha e entrega.
Mas eu quero-te e desejo-te,
Não consigo deixar de pensar em ti.
Que partilha é esta, se te não posso tocar,
Que entrega é esta se não estás a meu lado.
Fecho os olhos e oiço o cantar do teu rir,
Aperto os lábios e sinto o calor dos teus.
Encolho-me em minha cama
E acho que que te consigo tocar.
Quero-te, desejo-te,
Não podes duvidar.
Sinto a tua falta,
Vejo-te nas pessoas que se cruzam comigo,
Oiço-te no sussurro das conversas alheias.
Quero-te, desejo-te,
Mas não te consigo ter…

sexta-feira, 4 de julho de 2003

Dificil

É difícil, dá para perceber.
É difícil viver, é difícil nascer.
Porque o não há-de ser sobreviver.

É difícil sentir e não poder dar,
Amar e não poder partilhar
Querer e não conseguir alcançar.

É difícil, pois é,
Doer e ter de se manter em pé,
Acreditar e quase perder a fé.

É difícil concerteza.
Desejar calor e sentir frieza.
Ansiar alegria onde vive a tristeza.

É difícil, também crês,
Quando queres, não me vês,
Sermos dois mas haver sempre três.